segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Talvez eu devesse me bastar.

Foi a conclusão à qual eu cheguei hoje.
Eu sempre fui aquela pessoa no meio da multidão que estava -sempre- pronta para dar o seu melhor. 

Um "Oi, prazer". Um abraço do mais sincero. Um olhar calmo e sereno.
A todos.
Em tudo.
Então sempre estava sorrindo. Mesmo sem perceber.
Eu estava sempre em ebulição. Meu olhar, atento a tudo.
A cada necessidade que pudesse surgir.
Nunca gostei de ver olhares tristes, onde quer que eu fosse. Apesar de eu saber que muitas vezes, esses olhares estão apenas a analisar tudo o que acontece em nós, de uma distância boa o suficiente para ver que algo não está bem.
Apesar de tudo isso, nunca fui a queridinha de ninguém. Não que eu quisesse... mas enfim, mais para a frente...
Era muito pelo contrário. 
Muitos até se sentiam melhores com meus sorrisos, meu alto astral, toda a energia que eu transbordava.
Porém, eu nunca soube que para todos eles, eu estava sempre em stand by.
Sabe? É aquela pessoa que a gente fica enquanto não encontra outra melhor.
E lá se foi a minha potência de agir.

Nada mal fazer isso algumas vezes na vida. Às vezes, é até necessário, ou, fazemos sem querer.
Mas se tem algo que realmente magoa, é ser essa pessoa para todos, o tempo inteiro e em todos os lugares.
No fim, ou no meio,  todo mundo acaba se encontrando alguma hora.

Mas eu sempre estive sozinha. O tempo inteiro. 
As pessoas....
Elas nunca estiveram realmente lá.
Aquela menina super simpática que estava ainda agora conversando hor-ro-res e dando risadas comigo, disse que ia comprar uma pipoca e não voltou.
A vi em outra esquina, de braços dados à uma outra menina e até hoje ainda não as vi separadas.

Aquelas pessoas, aquele grupo que jurava "amizade eterna", se dissipou. 
Minhas melhores histórias ficaram com eles.
E eles foram embora.
Não pense que pra longe.
Moram ali.
Não pense que eu não os procurei. Procurei sim.
Mas é por aí que começa a história do "Talvez eu devesse me bastar".
O olho-por-olho-dente-por-dente dos trouxas.
Se você pensar bem, todos que foram embora, ou os que não ficaram, ou os que não ficaram e foram embora para ir fazer melhores histórias com outras pessoas e te deixaram aqui, eles se bastaram com alguém. 
Nessa vida, é cada um com seus alguéns.
Daí então, eu percebi que eu poderia ser meu próprio alguém e me fazer feliz, antes de ser esse "alguém" para alguém.

Clichê de auto -ajuda.
Mas nada como um clichê de auto-ajuda explicitado e materializado na sua frente.
Dentro de você.
Fazendo as coisas pulsarem de um jeito diferente.
Com sentido, intensidade e direção totalmente diferentes.
Uma revolução pessoal!
A melhor coisa que pode acontecer a alguém e tantas vezes...
Quantas vezes teremos que nos reinventar?
Quantas vezes não teremos que ser aquela pessoa que faz mal a nós mesmas?
Quantas vezes o verbo amar ganhará novo significado para nós mesmos...dentro de nós?
Quantas vezes nos sentirmos fracos e indesejáveis.
Há algo de muito errado em não se gostar.
Então decidi e combinei comigo mesmo que irei fazer nascer em mim aquela pessoa que eu admiro e que eu gostaria de ser.
E quantas vezes forem necessárias.
Porque a admiração e o amor não são sentimentos estáticos.
Eles transbordam por si mesmos.
E quando despertados...
Faz o mundo olhar para ti, e te ver, de fato.